A falha informática mundial de 2024: 5 lições para os cuidados de saúde
Na sexta-feira, 19 de julho de 2024, uma atualização incorreta de software de segurança paralisou centenas de milhares de sistemas Windows em todo o mundo. Também uma série de hospitais neerlandeses foi afetada: as cirurgias foram reduzidas e alguns locais fecharam temporariamente para novos doentes. Não foi um ciberataque, mas um erro de um fornecedor, e é precisamente isso que o torna instrutivo. Cinco lições sobre a continuidade dos cuidados de saúde.
O que aconteceu
Uma atualização defeituosa do software de segurança do fornecedor CrowdStrike provocou o famigerado ecrã azul (Blue Screen of Death) em inúmeros computadores Windows. Em todo o mundo, setores como a aviação, a banca, os meios de comunicação e os cuidados de saúde foram perturbados.
Nos Países Baixos, foram afetados, entre outros, os hospitais da Treant (Emmen, Hoogeveen, Stadskanaal), Nij Smellinghe (Drachten) e Slingeland (Doetinchem). As cirurgias foram adiadas e alguns locais deixaram temporariamente de aceitar novos doentes. Não se tratou, de forma alguma, de um ciberataque, mas de um erro numa atualização; a recuperação exigiu trabalho manual em cada sistema.
Lição 1: Os cuidados continuam, mesmo em papel
Quando o processo do cliente, o módulo de medicação ou o planeamento falham, os cuidados têm mesmo de continuar. Isso exige procedimentos de emergência comprovados: trabalhar com listas de administração em papel, dupla verificação na medicação de risco e acordos claros sobre quem faz o quê.
Treine estes procedimentos de emergência periodicamente. Na prática, verifica-se que os colaboradores que raramente os utilizam perdem tempo precioso durante uma falha real. Um cartão de instruções curto e claro por serviço ajuda enormemente.
Lição 2: Informe os colaboradores, também fora dos sistemas
Quando os sistemas habituais estão em baixo, não é possível contactar os colaboradores através desses sistemas. Pense antecipadamente em vias alternativas.
- Uma instrução central e breve: o que não funciona, qual o procedimento de emergência em vigor e onde encontrar a situação mais recente.
- Contactabilidade através de canais alternativos (telefone, SMS, uma página reservada).
- Clareza sobre as prioridades: que cuidados e que serviços têm precedência.
- Transmitir tranquilidade: colaboradores que sabem o que fazer também mantêm doentes e familiares calmos.
Lição 3: Tranquilize familiares e doentes
As cirurgias adiadas e as portas fechadas geram inquietação entre doentes e familiares. Seja proativo: explique o que se passa, o que isso significa para a sua consulta e quando haverá mais informações.
Uma mensagem honesta e humana evita telefonemas desnecessários e desconfiança. Assegure que a informação no sítio web, no balcão e ao telefone seja idêntica.
Lição 4: Conheça a sua dependência dos fornecedores
A falha não teve origem interna, mas num fornecedor externo de software. Isso mostra o quanto os cuidados de saúde modernos dependem da cadeia digital: um fornecedor de ECD, uma empresa de software, um serviço de nuvem.
Mapeie estas dependências (que sistema depende de que fornecedor) e defina o que fazer se um fornecedor falhar. Estabeleça acordos sobre tempos de recuperação e mantenha uma opção de recurso à mão.
Lição 5: Conheça as suas normas e obrigações de notificação
As instituições de saúde regem-se pela NEN 7510 (segurança da informação) e pelo RGPD. Se a segurança do doente estiver em risco, pode tratar-se de uma calamidade que deve ser notificada no prazo de três dias úteis à Inspectie Gezondheidszorg en Jeugd (IGJ) ao abrigo da Wkkgz. Se estiverem envolvidos dados pessoais, aplica-se a obrigação de notificação de violação de dados (72 horas) à Autoriteit Persoonsgegevens.
Além disso, os prestadores de cuidados de saúde estão cada vez mais abrangidos pela Lei de Cibersegurança (NIS2), com obrigação de notificar incidentes significativos. Registe, durante a crise, que notificações foram feitas, quando e a quem.
Como o CrisisRadar ajuda nisto
O CrisisRadar reúne a administração, a gestão dos cuidados, as TI e a assessoria de imprensa num quadro de crise partilhado. Regista os factos com a respetiva fonte, partilha instruções de emergência claras com os colaboradores, elabora uma mensagem tranquilizadora para os familiares e vela pela continuidade dos cuidados. Os temporizadores das obrigações de notificação controlam os prazos para a IGJ e a Autoriteit Persoonsgegevens.
Quer ver como uma falha informática nos cuidados de saúde se apresenta, passo a passo, na plataforma? Consulte então a situação prática correspondente.
Stappenplan
Prepare procedimentos de emergência e cartões de instruções
Defina, por serviço, como continuar a trabalhar em papel em caso de falha do ECD, da medicação ou do planeamento, com dupla verificação na medicação de risco.
Organize a comunicação fora dos sistemas
Garanta uma forma alternativa de contactar colaboradores e familiares quando os sistemas habituais estão em baixo.
Mapeie as dependências dos fornecedores
Saiba que sistema depende de que fornecedor e o que fazer se este falhar, com acordos sobre tempos de recuperação.
Treine uma falha informática
Treine a equipa com um cenário em que sistemas críticos falham, incluindo as obrigações de notificação à IGJ e à Autoriteit Persoonsgegevens.
Veelgestelde vragen
A falha da CrowdStrike foi um ciberataque?
Não. A falha de 19 de julho de 2024 deveu-se a uma atualização de software incorreta do fornecedor CrowdStrike, e não a um ataque. Ainda assim, paralisou sistemas Windows em todo o mundo, incluindo em hospitais, o que sublinha a importância de bons procedimentos de emergência.
Como é que os cuidados continuam quando os sistemas falham?
Com procedimentos de emergência comprovados: trabalhar com listas de administração em papel, dupla verificação na medicação de risco e acordos claros sobre prioridades e funções. Treine estes procedimentos periodicamente, para que fiquem automatizados.
Que obrigação de notificação se aplica a uma falha informática nos cuidados de saúde?
Se a segurança do doente estiver em risco, deve notificar uma calamidade no prazo de três dias úteis à IGJ (Wkkgz). Se estiverem envolvidos dados pessoais, aplica-se a notificação de violação de dados no prazo de 72 horas à Autoriteit Persoonsgegevens. Muitas vezes aplica-se também a Lei de Cibersegurança (NIS2).
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